segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

“ MENINA MOÇA”

“ Está naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.

Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem cousas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.

Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir as asas de um anjo e tranças de uma huri.

Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;
Quando sonha, repete, em santa companhia,
Os livros do colégio e o nome de um doutor.

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;
E quando entra num baile, é já dama do tom;
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo
Para ela é o estudo, excetuando-se talvez
A lição de sintaxe em que combina o verbo
To love, mas sorrindo ao professor de inglês.

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,
Parece acompanhar uma etérea visão;
Quantas cruzando ao seio o delicado braço
Comprime as pulsações do inquieto coração!

Ah! se nesse momento, alucinado, fores
Cair-lhe aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,
Hás de vê-la zombar de teus tristes amores,
Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

É que esta criatura, adorável, divina,
Nem se pode explicar, nem se pode entender:
Procura-se a mulher e encontra-se a menina,
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher! ”

( Machado de Assis - 1839/1908 )



POESIA MULHER

Como é a mulher - Poesia
Você é mais, é divina mulher e poesia
Honey, de voz delicada
Como poesia declamada
Sorriso de menina
Como poesia leve e fina

Sua imagem em minha retina
É contínua, eterna

Mulher feita por um Deus Artista
Escultural perfeita
Seus seios apontando para o céu
Coxas esguias e pernas longas te colocam
Mais perto do céu
Mulher feita por um Deus artista

Te esculpiu
Te torneou a cintura - Única

Tua pele é macia
Teus pés de seda,
Feitos para pisar apenas em pétalas de rosa
uma mulher poesia
um Deus Artista
um homem inebriado de amor
apaixonado - escravo - súdito
apenas um homem

Karl Khalil

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Herrique Arruda - poeta alogoano



A Flor e o Coração da Terra
A Flor e o Coração da Terra

A flor nasce... tão ligeiro o chão a cobre.
A flor sem alma constrói lei selvagem,
encerra-se num copioso sonho pobre:
A solidão é o espelho; o vazio a imagem.

Um dia quem sabe a flor cresce e descobre,
o coração da terra que traz sua mensagem,
contida num sentimento perfeito e nobre
sendo o desamor ilidido em real miragem.

Igual a flor... o amor em tempo corre.
Mas ele é a alma do tempo, o coração da terra!
Vence a fugacidade e jamais se enterra.

As guerras entre povos, a miserável fome
traduzem severas dores nestes meridianos;
o poder desvairado e cego fere e consome,
pesadelo interminável de ódios cotidianos.

Uma Flor em qualquer solo surge e some;
Brota e murcha, tem seu esplendor mediano.
Antes de fenecer a flor revela o seu nome:
Sou a Flor desse tempo efêmero e leviano!

Igual a flor... o amor em tempo corre.
Mas ele é a alma do tempo, o coração da terra!
Vence a fugacidade e jamais se enterra.

Henrique Arruda